Quilombo é toda habitação de negros fugidos que passem de cinco, em parte desprovida, ainda que não tenham ranchos levantados nem se achem pilões neles. É um termo banto e quer dizer acampamento guerreiro na floresta e foi uma das maiores experiências coletivas dos negros na América.
Desta vez não vamos fugir para a mata e ficar isolados, desta vez vamos ficar do lado do senhor para criar nosso próprio futuro. No final, a universidade, a rua, o pensamento, os sentimentos nos pertencem e não estamos dispostos que ninguém nos domine.
Quilombo é uma revista sem habitação de nenhum escravo, que passam de dez, em parte desprovida de conhecimento, ainda que não tenham textos elaborados e nem se achem dependência neles. Quilombo é um termo banto e quer dizer agrupamento jovem e autônomo na univer(c)idade e quer ser uma das maiores experiências coletivas deste agrupamento na UFG, e por que não fora dela.
Existe uma tradição pacífica, nas “revoluções”, nas críticas, nas polêmicas, não existe ataque à nada nem à ninguém. Então não somos uma resistência, pois não somos a defesa contra o ataque opressor. Nos assumimos insubmissos, com uma certa pretensão é claro.
Somos sim insubmissos, pois nos tornamos produtivamente independentes, nos insubmetemos ao burocratismo acadêmico. Depois de fincados na insubmissão, aí sim começa a resistência, a permanência na lógica de um novo sistema, autônomo.
Estamos no início de um processo; sim a Quilombo não é um resultado, não é um produto final. A Quilombo é um processo de construção de espaço, mas sem o pieguismo de dar voz, afinal só os mudos infelizmente não tem voz.
Vítimas são os quilombolas, é o sem terra, o explorado, o pobre; vítima é a classe media acomodada que se acha livre por ir ao shopping; vítimas somos nós estudantes que jogamos no lixo os melhores anos da nossa vida para sair com um papel na mão e com o vazio na cabeça. Mas não é hora para o vitimismo, agora é o momento para atuar, para agir. E com essa pretensão e responsabilidade a cumprir, abrimos esse espaço para a ação, para destruir e seguir o caminho da construção. As nossas pedras são um monte de páginas que serão usadas como tijolos na recuperação da nossa dignidade.
Acreditamos piamente que todo e qualquer “leitor” é um potencial produtor de informação e conhecimento; dentro da academia ou não, sabendo escrever ou não, sendo muitíssimo inteligente ou não. Se até os mestres são ignorantes, imagine nós, não é Rancière?
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